segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tuning popular

Em qualquer lugar do mundo, todo proprietário de veículo gostaria de olhar para sua garagem e se sentir satisfeito e orgulhoso por ter uma máquina. Mas, e as pessoas menos favorecidas, que não têm condições de comprar um modelo superior a um simples, popular e usado? Elas não admiram seus carros? Claro que sim! A paixão delas é extrema. Às vezes é muito maior do que a de executivos com seus conhecidos sedãs.
Só que essa relação com seu humilde automóvel, o desejo de popularidade e a vontade de se sentir diferente dos outros pode levar o condutor a tomar atitudes no mínimo, inusitadas. Não pense que ele enlouqueceu. Pode até ser isso, mas ele traduz todos seus sentimentos na carroceria, no painel, no vidro...
Não sejamos pessimistas. Por traz de todo o famoso Tuning Popular, existe a criatividade do motorista (e a condição financeira também).
Andando por qualquer lugar movimentado, você pode encontrar facilmente algum carro modificado pelo próprio dono. Vamos a alguns exemplos. O Ford Ka do web designer Marcos Lima nunca chamou a atenção pelas ruas. Mas depois que ele recebeu rodas de 16 polegadas do Audi, ronco de escapamento esportivo e uma grade de ferro feita manualmente que mais parecia um ancinho – ferramenta agrícola também conhecida como “rastelo” -, ele ficou famoso. Você pode pensar que até houve um grande investimento. Porém, tirando as rodas, o proprietário não gastou muito com o resto, já que o escapamento ficou cortado ao meio e a grade foi feita por pedaços de ferro que sobraram de uma obra.
A Brasília encostada na praça não possuía algo que atraísse olhares. Bom, mas se chegasse um pouco mais perto, era possível ver o atrativo do carro: no console, não havia rádio com cd player ou toca fitas, mas a pequena televisão de 7,5 polegadas que ali estava adaptada tinha AM e FM também.
Solange Pereira, gerente de uma famosa loja de autopeças, garante que a procura por adereços que modifiquem o visual do automóvel é maior do que o convencional. “Uma lanterna personalizada sai muito mais do que a original”, explica. Segundo a funcionária, este mercado cresceu muito e os famosos spoilers ou saias são os favoritos entre os jovens. Para o motor, o sucesso é o filtro esportivo.
Seja na parte externa ou interna, por que as pessoas gostam tanto de mexer em seus veículos? No caso do Ford Ka, o proprietário realmente queria chamar a atenção. Mas não é somente isso. O Celta do especialista em informática Márcio Seraggi possui saia, maçanetas, manopla de câmbio e tapetes cromados, lanterna modificada. As calotas continuam lá. Para Márcio, as alterações são como um vício: você começa e não para mais, e servem para agradar a si mesmo. Detalhe que ele instalou uma coluna de instrumentos e pintou as lanternas apenas com a ajuda do irmão.
Dizem que a personalidade do indivíduo está ligada ao carro que ele possui. Sendo assim, Rafael Mathias não deve ser muito confiável. Seu Palio é igual ao baú de um motoboy: cheio de adesivos. Essa foi a maneira que ele encontrou para esconder os riscos do automóvel.
Um pobre peugeot serviu de propaganda pessoal. Eram três adesivos na traseira: “Sou vegetariana”, “Cuidado, eu freio para animais” e ao lado da placa, o lendário rosto de Elvis Presley, em preto e branco mesmo, como foto de um álbum. Vai entender...
Para se tornar conhecido, expressar sentimentos ou apenas passar o tempo, é possível usar seu querido carro como vítima, desde que você não o maltrate. Com pouco investimento, basta ter criatividade e coragem para sair às ruas. Afinal tudo que é novo ou diferente, causa estranhamento ao ser humano, principalmente quando o assunto é uma das maiores paixões dos brasileiros.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A solução para a locomoção em SP

Meu primeiro emprego era de digitador, numa empresa localizada na Avenida Paulista. Tinha 17 anos e a carteira de motorista ainda ia demorar um pouquinho para chegar. Então, o jeito era usar o transporte público diariamente, nos 18 quilometros aproximados de distância da minha casa.
Essa distância, no papel, parece ser pequena. Mas para um morador da cidade de São Paulo, isso significa uma eternidade. Você pensa "ah! claro. De ônibus deve demorar mais. Para nos pontos, desce gente, sobe gente, anda devagar, é pesado..". Na prática era pra ser assim. Porém, andar de coletivo em São Paulo pode até ser vantajoso. Se falando da questão de tempo, evidentemente.
Hoje trabalho num bairro mais próximo, há cerca de 9 quilometros de onde moro. Agora vou de carro, pois depois de enfrentar três anos no "busão", não só indo para Paulista, mas também para os outros empregos que tive, decidi ter mais conforto, mais privacidade, economizar tempo e me livrar de uma parcela do estresse cotidiano.
Só que percebi que são tantos carros, é tanta "gente motorizada" um pouco tarde. A anuidade do estacionamento já foi paga. De automóvel, estou levando o mesmo tempo que levava para vir da Consolação de ônibus à noite. Acrescentando combustível e manutenção, os valores ultrapassam a taxa gasta usando o transporte público.
Meu automóvel possui um motor de 1.800 cilindradas e faz 8,5 quilômetros com cada litro de gasolina. Por mês, vão embora 300 reais. E existe gente que paga isso como parcela de um carro novo.
Diante do disperdício, qual seria então a solução para se locomover nessa metrópole, já que se optar por ônibus, metrô e essas coisas estamos sujeitos à insegurança, desconforto e total dependência? Conversando com um rapaz na academia, surgiu uma ideia. Ele estava indignado, assim como eu, com a situação. Ele, um feliz proprietário de um Ford Ka 1.0, do modelo eleito o carro popular mais econômico pela revista Quatro Rodas há pouco tempo atrás.
A solução para tal problema seria o uso de uma motocicleta, dessas pequenas mesmo, já que algumas são automáticas. Basta acelerar, se equilibrar e frear. Sim, porque moto faz até 30km por litro de gasolina, estaciona em qualquer lugar e não enfrenta trânsito! Quer dizer, até enfrenta, mas escapa ligeiramente por entre os outros veículos. E o melhor, seu preço é muito baixo!
Claro que a condução sobre duas rodas exige mais atenção e é mais perigosa. Em dias de frio ou chuvosos, haja coragem para sair. Mas quem não quer chegar do trabalho em 10 ou 15 minutos, gastando apenas 80 reais por mês?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O velho rico e o jovem pobre

Um jovem costuma se sentar todos os dias em frente à sua casa, humilde, em um bairro pobre de São Paulo. Ali permanecia pensativo e refletindo sobre os problemas da vida. Era muito inteligente e acabara de arrumar um emprego num escritório de contabilidade.
Certa vez, um carro de luxo parou à sua porta. Um senhor de bastante idade desceu, foi em direção ao garoto e pediu algumas informações sobre o bairro.
Este senhor era um empresário muito bem sucedido, que resolveu investir naquela região, montando uma empresa na rua da casa do jovem. Passado algum tempo, o moço e o velho se tornaram amigos.
Em uma das conversas rápidas que aconteciam diariamente, o senhor perguntou logo de prontidão ao jovem: - O que você mais gostaria de ter nessa vida? Ele respondeu: - Muito dinheiro! Tenho uma família maravilhosa, ótimos amigos, mas a falta de dinheiro me impede de fazer várias coisas. E o senhor?
- Queria ter minha juventude de volta.
E a conversa prosseguiu por muito tempo, com o velho contanto fatos de sua vida e o garoto entusiasmado com as histórias... 
Se você estava pensando que esse texto continuaria com o idoso doando o dinheiro pro pobre, fazendo caridade e essas coisas, está enganado.
Este trecho introdutório serve conscientização para algumas pessoas. O jovem, mesmo pobre, ainda pode alcançar um dia a riqueza, apesar das dificuldades. O velho, com todo o dinheiro, jamais poderá realizar seu maior desejo, que é voltar à juventude. Porém, o jovem de qualquer forma ficará velho, até se virar rico.
A questão é que o dinheiro é a única diferença entre eles. A velhice, se sobreviverem, os jovens vão atingir. Dizem que o dinheiro é tudo na vida. De fato é, enquanto você pode usufruir dele. Mas caro leitor mais favorecido, lembre-se que seu corpo é idêntico ao dos pobres e seus destinos também serão os mesmos.