
O projeto de construção de três sobrados numa pequena rua sem saída aqui perto de casa foi aprovado e já está sendo colocado em prática. Com isso, o último terreno baldio do bairro foi tomado por concreto e logo receberá novos moradores.
Quando chegamos à Vila Califórnia, no final do ano 1990, havia muitos terrenos abandonados, que certas vezes eram a alegria das crianças, que ocupavam esses espaços durante o dia para jogar bola e empinar pipa. Eu mesmo já fiz isso.
Sempre que passava pelas ruas onde passou sua infância, no Brooklin, meu pai apontava edifícios, avenidas e até lojas e dizia que ali, antigamente, abrigavam grandes campos de futebol, que agora existem apenas na memória de quem passou ou esteve lá.
Eu imaginava que isso jamais fosse acontecer comigo: olhar para um lugar que anteriormente era palco de muita diversão, ponto de encontro dos amigos e que hoje apresenta um cenário totalmente diferente do passado.
Ainda bem que já há algum tempo possuímos recursos para registrar alguns dos momentos maravilhosos em locais hoje tomados por um empreendimento. Seria difícil de uma criança acreditar, sem que haja uma prova, que o prédio onde mora e a avenida que o recebe foi construído no lugar de um campinho que, enquanto existiu, recebeu inúmeras pessoas, com histórias diferentes... que muita coisa aconteceu naquela área.
Mas fazer o quê? Hoje em dia há muito mais gente, muito mais necessidades e a ganância cresce junto com tudo isso. O entretenimento, a diversão e o esporte perdem espaço. Pelas minhas contas, só aqui na redondeza, foram quatro quadras e mais três campos que tiveram esse destino. A Prefeitura e os moradores até tentam fazer suas partes, mas a concorrência com as empresas chega a ser ridícula.
Alguns comemoram o fato de parques públicos receberem muitas pessoas. Isso acontece em razão das poucas ou nenhuma opção nos bairros.
Tudo hoje atinge números incríveis nessa metrópole: o trânsito, as filas, pessoas, casas, prédios... Chega a ser irritante. Em contrapartida, só a natureza. Não há mais espaço pra ela. O cimento e o asfato invadiram a terra. A água não tem pra onde ir. O fogo não consegue se alastrar. O vento está ficando fraco. O ar também já está com os dias contados. Mas eles aos poucos começam a dar o troco. E pelas tragédias que vimos ultimamente, é melhor ter consciência, agir diferente e não medir forças. Caso contrário, não haverá alguém sequer para contar nossa história.

O mundo está mesmo um horror e cada vez mais destruído... Não estou te copiando, mas vou fazer um post hoje sobre infância também... Heheh. S2
ResponderExcluirNossa cara, pensei a mesma coisa quando vi próximo a minha rua novos empreendimentos que nunca antes haviam cogitado essa idéia.
ResponderExcluirMuito bom o texto.